17 julho 2011

LOUCO DE MEIA IDADE


A proximidade dos 50 anos, hoje, está tão visível para mim quanto aquela imagem da nave alienígena que paira sobre New York no filme Independence Day, de 1996, dirigido por Roland Emmerich. Estou no meio dos 47, ainda resta um tempinho para emplacar meio século, mas já me considero no período de preparação para essa data que considero um marco importante.

Quando olho para o passado tenho a impressão de que vivi várias vidas. Cada período, pontuado por uma cidade diferente, pessoas diferentes, que nem sempre transitaram comigo de um período para o outro, infelizmente.

Vivi 20 anos em Ituiutaba, 10 anos em Goiânia, 10 anos em Uberlândia, 3 anos em Belo Horizonte e 4 e meio em Brasília, onde resido atualmente e, aparentemente, ficarei por um período mais longo, dadas as condições que me trouxeram aqui.

Sempre fui daqueles para os quais os últimos dias do ano são de balanço sobre tudo que aconteceu até então, até mesmo porque sou capricorniano, que aniversaria em 27 de dezembro. Esse período tumultuado entre o Natal e o Ano Novo, onde quase sempre me “esqueceram” os parentes, amigos e colegas de escola e trabalho. Natural, cada um cuidando da sua vida e envolvido na sua própria e cruciante rotina de agendar festas, férias e compra/troca de presentes. Aos poucos me acostumei e “até” parei de reclamar internamente.

Mas, voltando ao assunto que me levou a escrever esse texto: Aproximar-se dos 50 anos, ou da “meia idade” principiou em mim um grande e melancólico processo de reflexão sobre toda a minha vida até então. Acordo e adormeço com o desejo de resgatar vários “eus” que por uma coisa ou outra parecem ter ficado perdidos em alguma dessas “vidas” que tive, e que acabaram sufocados por “forças ocultas”, ou por fraqueza minha, ou por necessidade, ou por desatenção. Minha culpa, minha única culpa, claro!

O fato é que os cinquentinha chegam aí trazendo como novidade uma vontade imensa de me reinventar, de chutar o balde em muitas coisas, de destacar aquilo que, para mim, sempre foi mais importante e que, por um motivo ou outro fui obrigado (?) a deixar em segundo plano, a deixar para depois.

Música, artes plásticas, literatura, poesia, gente... Não necessariamente nessa ordem. E, principal e essencialmente, resgatar o que há de melhor em mim, e aprender a extirpar, aos poucos, aquilo que a vida me acrescentou – sem que eu tivesse tido tempo para fazer juízo e saber se queria ou não.

Enfim, está aberto o tempo para acrescentar à minha história tudo aquilo que eu escolher, e de extirpar tudo que se tornou obsoleto, indesejável, pesado excesso que não quero e nem vale a pena mais carregar.

Sigo assim, como um mutante louco lobo de meia idade. Durma-se com um barulho desses!


by Silvio Vinhal



7 comentários:

Gra Porto disse...

Eu bem mais próxima dos 30 que você dos 50, também revendo coisas, modificando, resgatando, jogando fora.

Dani disse...

Prometo nunca mais esquecer o seu aniversário que eu nunca soube..rs
Me revejo e sinto saudade de mim mil vezes por semana. Prometo voltar a mim ou reinventar toda hora. Será a proximidade dos 42?? hahaha
Você 50tão será maravilhoso, esbaldando sensibilidade e sabedoria.

wandreazzi disse...

Fantástico como sempre, me veio a mee nte um verso de uma música que me é muito especial " a vida é tão maravilhosa, é tão bonita, pena que a gentnão sabe viver... mas um dia a gente aprende, a gente conquista e o sonho de ser feliz uma dia vai acontecer...."

Anônimo disse...

A proximidade com os 50 tem me deixado mais seguro.....acreditem.

EFGoyaz disse...

O tempo! É bem provável que o tempo seja a coisa mais bonita que o homem seja capaz de ver. Mas parece que as verdadeiras belezas, aquelas fortes e que nos olham de cima, nos assustam e nos apavoram. Alguns tentam se esconder ou fingir que ele não existe. Outros vivem o amaldiçoando. Mas creio que a mais nobre é fazer como você faz: conforme a passagem do tempo, você chama ele (o Tempo), sentam no banquinho para discutirem a relação, olhos nos olhos. Cara a cara. E viram amigos de longa data.

Elenise disse...

Tenho curtido muito a idade da loba...mas pesa muito pensar as coisas que não fiz. Não arrependo de nada que fiz (ou quase nada), mas o difícil é admitir que deixamos passar oportunidades importantes, cruciais na vida....e pensar que talvez não dê mais tempo de fazer nesta vida (se é que existe outra).

Cadu Faria disse...

Muito legal, Silvio!
Vai se reinventando e compartilhando conosco todas essas descobertas! Abração!
Cadu