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28 outubro 2011

Será ?




Diante da desesperança do mundo, da minha indignação com as mazelas que vejo em minha cidade, em meu país. Diante de tanta roubalheira, tanta falta de educação, de tanta pobreza (tanto material quanto de espírito) eu às vezes me pergunto:

Até onde vai minha parcela de culpa? O que faço para mudar o mundo e deixá-lo um pouco melhor?

Será que sou suficientemente paciente, benevolente, gentil, generoso, didático, amigo, cortês, honesto? Será que sei perceber meus egoísmos, minha intolerância, minha própria imutabilidade? Será que devolvo ao mundo um pouco de tudo aquilo de bom que já recebi?

Silvio Vinhal em Brasília 28/10/2011 09:57

14 outubro 2011

É O QUE É...


De tempos em tempos vemos se repetir no mundo, as mesmas e velhas demonstrações de fanatismo, desrespeito ao próximo e violência.
Será que isso nunca terá um fim?
A julgar pela mensagem bíblica do Eclesiastes, não.

"O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol" (Eclesiastes 1:9)

A canção "É o que é" foi composta por mim e integrou o Álbum Cenário, de 2001.
Hoje penso que ela parecia ser profética sobre o que estava por vir no 11 de setembro.
10 anos se passaram, será que aprendemos alguma coisa?

A grande verdade é que todos nós somos, ao mesmo tempo, algozes e vítimas.

24 janeiro 2008

Românticos São Loucos Desvairados

Angel Boligan - Dom Quixote "El Universal"


Em 2005, se não me falha a memória, em alguns dias de férias que passei lá em Cabo Frio, um dia eu ouvi, enquanto estava na piscina do hotel, uma música que me chamou a atenção pela melodia, mas principalmente pela voz do cantor, que me remeteu imediatamente a alguma coisa anterior, à alma da Tropicália, ou algo que na hora eu não soube identificar. Tampouco soube, na ocasião, quem era o cantor. Aquilo ficou marcado em mim, mas esquecido.
Algum tempo depois eu ouvi e comecei a curtir duas músicas na voz da Rita Ribeiro, “Contra o Tempo” e “Românticos”, e fiquei sabendo que o compositor era um “tal” de Vander Lee. Eu morava, então, em Belo Horizonte e fiquei sabendo que ele era de lá. Conheci o Vander Lee pessoalmente só daí mais alguns meses, convidado que ele foi de Paulinho Moska, em um show que assisti lá em BH. Um cantor/compositor talentosíssimo, com uma voz melodiosa e personalíssima. Fui atrás de sua obra, e hoje é um dos compositores brasileiros que eu mais escuto. Gosto da melodia do seu canto, do seu lirismo, do romantismo e do humor. São letras ricas e criativas. Que bom é perceber que nossa MPB está viva!

Dom Quixote

Da composição “Românticos” eu tirei o título dessa resenha de hoje. Um dia uma amiga de São Paulo me “acusou” de romântico, e eu fiquei um pouco envergonhado. Eu a achava tão antenada, tão moderna, e na época aquilo me soou como um defeito. Em 2001 eu descobri, durante a feitura de um trabalho de final de curso, que o romantismo está muito vivo e atual. Teixeira Coelho, em seu livro “Moderno Pós-Moderno”, me mostrou que o esvaziamento de nossa cultura de massa perpetuou em nós o anti-herói romântico. Seremos eternos quixotes a lutar contra obstáculos cada vez maiores, pois nossa dimensão humana é predestinada a lutar entre o efêmero (e mortal) e o eterno que há em nós. Miguel de Cervantes, em seu “Dom Quixote de La Mancha” já sabia disso lá em 1602... Dom Quixote sempre foi um dos meus romances preferidos, e a sua figura sempre foi uma imagem recorrente na minha memória.

Enfim...

Teixeira Coelho me fez ver que o Pós-Modernismo é na verdade uma espécie de "barroco do Romantismo". Coisas que a gente estuda lá em arquitetura, essa denominação de períodos históricos por “estilos”, mas que valem pras artes em geral, e principalmente para determinados comportamentos humanos. Enfim, continuamos românticos, e isso não é defeito ou vergonha. Hoje não me preocupa ser romântico, o que me preocupa é ver o egoísmo cada vez maior de gerações inteiras que pensam e vivem apenas ao redor do próprio umbigo. Talvez por isso a vida humana esteja valendo cada vez menos. Os reflexos estão aí no noticiário de cada dia, uma violência cada vez maior.


Eu prefiro continuar a ser, eternamente, um louco romântico.

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Figura 2 - Dom Quixote - Pablo Picasso (1955)



Vá atrás dos links

Vander Lee
http://www.vanderlee.com.br/novo/

Rita Ribeiro
http://www2.uol.com.br/ritaribeiro/

Dom Quixote
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2002/05/17/000.htm

Pablo Picasso

http://www.10emtudo.com/artigos_1.asp?CodigoArtigo=47

Angel Boligan
http://cagle.com/artists/Boligan/main.asp

Livro: Moderno Pós-Moderno – Teixeira Coelho
http://www.planetanews.com/produto/L/66010/moderno-pos-moderno-teixeira-coelho.html