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17 março 2012

Brasília




"Gosto de Brasília, mas é uma cidade que me causa gastrite. A todo momento vemos um retrato do Brasil escancarado à nossa frente, com tudo que há de bom e de ruim convivendo lado a lado.

As mazelas da cidade e o descaso com a população de uma forma geral (faltam calçadas, sombra para caminhamento, um bom serviço de transporte e, principalmente, interesse em resolver os problemas de saúde, transporte, educação, moradia). 

Tão perto do poder, e ao mesmo tempo tão desprezada. Brasília é um retrato fiel do Brasil e nos lembra a todo momento o quanto estamos longe de nos tornarmos uma civilização melhor e mais justa - embora sua história lembre-nos, também, que é possível." Silvio Vinhal

15 julho 2011

Duas regrinhas para viver mais

Silvio Vinhal

O trânsito está cada dia pior.

De quem é a culpa? Dos maus motoristas ou dos planejadores urbanos corrompidos pelos especuladores imobiliários?

Economia estável, poder aquisitivo em alta, juros baixos (?) e financiamentos a perder de vista são os responsáveis pelo “boom” de automóveis em nossas cidades. O planejamento urbano, no entanto, não acompanha as mudanças tão rápido assim. Nossas cidades, Brasília incluída, repetem um planejamento medíocre e inadequado que moldou a maioria das cidades pelo mundo afora, com ruas e calçadas estreitas. Áreas superpovoadas proliferam sem o contraponto de vias calculadas para receber o impacto do grande fluxo demandado por edifícios residenciais, bem como escolas, estádios, edifícios públicos, hospitais ou igrejas.

Brasília, em particular, cresce sem ter aprendido nada com o mestre Lúcio Costa. Nem mesmo o plano piloto, com suas amplas avenidas de 12 pistas resiste à proliferação de motoristas barbeiros, com seus carros zero quilômetro, reluzentes ou empoeirados, ou suas carroças caolhas e capengantes.

A maioria dos motoristas pensa que basta comprar um possante e sair por aí ganhando chão. Eu corro léguas daqueles que são impacientes e mudam de pista o tempo todo. Estatisticamente está comprovado que são eles os que mais contribuem para que o trânsito empaque. Justificável, pois para mudar de pista eles param, ainda que por alguns instantes, duas pistas. Ao mudar de pista constantemente, eles bagunçam o tráfego, e aumentam a probabilidade, para si, ou para os outros, de provocar uma colisão.

Também fujo de motoristas que não sabem calcular a distância que devem manter em relação ao carro da frente, de acordo com a velocidade que trafegam. Regra básica das instruções para tirar a habilitação que, aparentemente, poucos se lembram, ou acham que só vale para as rodovias. Dirigir colado no carro da frente é assinar um atestado de burrice, porque o motorista “abre mão” de qualquer possibilidade de se defender, ou se safar, caso o motorista da frente freie bruscamente, por necessidade ou por qualquer outro problema que haja com ele ou com o carro.

Duas regrinhas básicas que podem melhorar muito a convivência, nada pacífica, a que somos obrigados a nos submeter diariamente para trabalhar, nos divertir, levar os filhos à escola ou voltar para casa. Duas regrinhas que podem salvar vidas. No trânsito, não devemos apenas pensar em chegar mais rápido ao nosso destino. Nossa postura pode e deve ser defensiva e didática. Os bons motoristas são capazes de ordenar o trânsito, torna-lo melhor. De que lado você está?