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22 julho 2011

Odeio ser gordo!

Silvio Vinhal


Odeio ser gordo. Digo isso e sorriem-me os quibes fritos, as coxinhas, os quiches, as lasanhas, as pizzas, os pavês, os chocolates, as mousses, os sorvetes, os queijos... Ah! Os queijos! Ainda mais para mim, que sou mineirinho, não da gema, mas das beiradas, lá de Ituiutaba. Terra das pamonhas, dos doces e das deliciosas manteigas “de leite”.

Só pensar em queijo e sorriem para mim os pães de queijo. Justo para mim, que sei o que é um bom pão de queijo de avó, com aquele cafezinho inconfundível, que peço sempre a receita e nunca consigo fazer nem parecido. Amor de avó é um tempero sem igual. Quem tem, tem. Pra quem não tem mais, o que resta é uma doce melancolia repleta de sons, cheiros e memórias.

Eu ainda tenho uma avó. Miudinha, esperta, que adora TV, gosta de conversar, de morar sozinha, e de ficar acordada até tarde. Vó Lóla, miudinha, mas um furacão em forma de gente, capaz de ir de zero a 100 em 2 segundos. Adepta de sal – muito sal – e de pimenta – muita pimenta. Essa, do cafezinho, dos pães de queijo deliciosos, do feijão preto, da carne de porco, e que faz um arroz cujo sabor jamais encontrei em outro lugar. Penso que não existe um arroz mais gostoso que aquele.

A outra avó, infelizmente, só tenho no coração e na memória. Uma mulher grande, mezzo italiana, de cabelos incrivelmente brancos. Calada e terna. Carinhosamente discreta. Lá, sorriam-me sempre deliciosas macarronadas, ou a “pizza da vó Nenê”, que na verdade era uma torta de frango, de.li.ci.o.sa! Na casa dessa avó lembro que me sorriam deliciosos pavês de ameixa, ai meu Deus!!!

Minha mãe sempre tirou leite de pedra. Fazia qualquer comida ter cheiro e um sabor maravilhosos. Aprendeu direitinho a valorizar a vitamina contida em cada alimento, cada pequeno pedaço de carne, ainda que às vezes o dinheiro só desse pra comprar barrigada de porco pra aproveitar a banha e utilizar a pouca carne para dar sabor à comida. Depois, quando as vacas engordaram um pouquinho, ela ficou sofisticada e fazia sorrir para nós deliciosas galinhadas, frangos com macarrão e pratos árabes que não sei de onde ela tirava a receita, como aqueles deliciosos quibes assados ou Mafufos enrolados em folhas de couve ou repolho. Esses, lembro bem, sorriam-me muito!!!

Meu pai não deixava por menos. Herdou a boa mão da mãe e gostava de fazer pão de queijo de batata, rosquinhas enroladas com leite condensado – cujo nome mais tarde descobri ser “Rosca Húngara” e, aos domingos, um delicioso arroz com suã de porco.

Não podia ser diferente, herdei todo esse bom DNA para a cozinha, claro! Modéstia à parte, faço rangos bem gostosos, embora prefira seguir a intuição do que utilizar uma receita. Às vezes erro, mas prefiro ter alguma liberdade para criar.

Enfim... Odeio ser gordo. Porque preciso emagrecer, mesmo sabendo de tantas coisas deliciosas que me sorriem (hoje mais nas lembranças que na vida real). Hoje são as saladas que me sorriem, e eu as adoro. Abro mão de qualquer sabor pelo prazer de me sentir leve, íntegro, ágil. Procuro fazer tudo certinho e, mesmo assim, talvez o Karma de tanta coisa gostosa que já comi na vida, ainda me persiga.

31 agosto 2009

Nada muda se a gente não desejar mudar




Precisamos começar a pensar/lutar para reduzir o turno de trabalho para 6 horas. Isso geraria mais postos de trabalho (2 turnos de 6 horas) e liberaria as pessoas para curtirem um pouco mais a vida, a família e para estudar.

Com o crescimento das cidades e o tempo que se perde em deslocamentos, tornou-se injusto exigir 8 horas de trabalho e reduzir tempo nas horas de sono e de "lazer".

Como as 8 horas de trabalho são rígidas, o tempo para deslocamento, banhos, alimentação e para resolver tarefas básicas para a sobrevivência, como fazer compras, por exemplo, tiram horas de sono ou que seriam necessárias às atividades de socialização com a família, amigos e com a sociedade de uma forma geral.

Nas grandes cidades, então, essa rotina fica ainda mais cruel para o trabalhador. Se for trabalhador e estudante, então, pior ainda.

Acho que o turno de 6 horas podia ser implantado IMEDIATAMENTE para as pessoas que estudam e trabalham, já seria um grande alívio, e um passo muito justo.

Com dois turnos de 6 horas cada, o comércio poderia abrir mais cedo e fechar mais tarde, favorecendo as pessoas que trabalham, que poderiam fazer compras no início da manhã ou no início da noite, gerando ainda, muitos postos de trabalho.

Nada muda se a gente não desejar, e lutar para que mudem. Os sindicatos e entidades trabalhistas, aparentemente, se esqueceram de lutar por melhores condições de trabalho também nas coisas que já estão estabelecidas.

Precisamos pensar no futuro, e nos preparar para uma sociedade com mais pessoas disponíveis para o trabalho, e disputando um mercado cada vez menor. Com 2 turnos de seis horas, parte dessa demanda seria absorvida.

Imagine uma família, onde o pai fizesse 6 horas no primeiro turno e a mãe fizesse 6 horas no segundo, ou vice-versa. Os filhos poderiam ter a assistência de pelo menos um dos pais o dia todo. Com certeza isso ajudaria muito, na construção de uma sociedade mais justa e plena de valores afetivos. Algo de que estamos precisando muito nesses dias violentos e em que as pessoas, principalmente os mais jovens, estão perdendo a referência de valores com as quais fomos criados.

Pense/divulgue isso!

22 março 2006

Mais Tarde

Mais tarde o azedo do limão fará a limonada
e a picada da abelha se perderá na doçura do mel.
Mais tarde a rocha mais dura se reconhecerá na areia e a água, tão branda,
se juntará à geleira que faz um continente.
Mais tarde o calor do sol se abrigará na noite estrelada
e a montanha mais alta será pó.
Mais tarde os filhos herdarão os pais,
e sua velhice será assim como uma infância ao contrário que escolherão ou não cultivar.
Mais tarde as sementes serão flores num jardim
e a esperança será um fruto igualitário.
Mais tarde a guerra será só vergonha, talvez.
Só o amor fará tudo ser outra vez.
Só o amor fará tudo cedo outra vez.

Poesia e Ilustração: Silvio Vinhal